Público, o Júlio Isidro da Nova Direita portuguesa

31.3.05

Não vá mais longe. Não procure mais. Vem ter consigo. A nova direita vem agora à boleia com o Público, sob a forma de encarte à borla. Depois da revista «Nova Cidadania», noutro dia, a revista «Atlântico», hoje. Para a semana, o Público traz o Papa-em-almofada, daquelas felpudas para colocar no assento de trás do carro.

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O insulto elogio

30.3.05

Dizes isso só porque queres ir para a cama comigo.

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O elogio insulto

You are so beautiful to me.

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táxi

29.3.05

Começou a tocar a Shakira, «Underneath your clothes»: because of you/I forgot the smart ways to lie. Inexplicavelmente, o taxista não aguentou e baixou bruscamente o volume. Logo quando eu estava a prestar atenção. Antes isso.

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Game, boy

Come in here, dear boy, have a cigar.
You're gonna go far,
You're gonna fly high,
You're never gonna die,
You're gonna make it if you try;
They're gonna love you.
Well I've always had a deep respect,
And I mean that most sincerely.
The band is just fantastic,
that is really what I think.
Oh by the way, which one's Pink?

And did we tell you the name of the game, boy?

[Pink Floyd, «Have a cigar», Wish you were here, 1975]


[muito obrigado ao Sérgio, Lourenço, Sam, Domingos, Luís, Pedro, Miguel e ao Eduardo]

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de sobra

27.3.05

Lado a lado no sofá, deitados de frente um para o outro, sobra sempre um braço que parece não pertencer a ninguém. Fica para ali no meio, inerte e embaraçante, tentando passar despercebido. Tal como na última ceia.

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Ser assistente

26.3.05

Há quem queira ser político, famoso, rico, astronauta, o diabo. Eu cá não. Eu só quero ser assistente universitário.

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Princesse de jour


[Marc Chagall, «The Promenade», 1917, óleo sobre tela]

Era uma daquelas princesas tão leves, tão leves que flutuava.

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Aforismo a propósito do aforismo para uso pessoal de Fra Mauro ou o Mapa 1:1 como espelho de Galadriel

25.3.05

«Um paradoxo tem valor só quando o não é».

[Fernando Pessoa, Aforismos e afins, Assírio e Alvim, 2003, p. 40]

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Aforismo para uso pessoal de Fra Mauro

Se não queres ser Deus, não Lhe vistas a pele (exceptis excipiendis: Cate Blanchett).

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Mappamundi

Parkinson é uma cidade no Vermont. Gripe é uma cidade húngara. Caspa é uma cidade no sul de Itália. Sífilis é uma antiga cidade grega. Malária é a capital do Malawi. Dengue, interior do estado de São Paulo. Tétano fica no Friuli, a caminho de Bolzano. Icterícia é ao pé da Báctria, mas menos conhecida. Alzheimer é um ducado na Baviera. Cancro é no Sudão. Herpes é uma cidade belga. Linfoma é francesa. Gonorreia é uma aldeia na Eritreia. Osteoporose, um aeroporto sueco. Demência é uma cidade espanhola. Paralisia, afasia e disfasia são paese na Sicília. Angina fica ao pé de Mântua. Quisto é na Bolívia. Eczema é no México. Aracnofobia no Iraque. Epilepsia é uma cidade na Finlândia. Raiva é no distrito da Guarda. Sarcoma no Minnesota. Sarna é na Transilvânia. Ciática não sei.

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Fra Mauro


[Fra Mauro, Mappamundi, 1459]

Fra Mauro começou a compor, no recato de uma abadia medieval, um mapa-mundo. Recebia informações geográficas de inúmeros viajantes, respigava nos arquivos, estudava Ptolomeu. Sem nunca sair da sua cela, Fra Mauro ia enchendo o mapa de mais e mais lugares, tanto celestiais como terrestres. Fra Mauro nunca deu o seu mapa por terminado, pois havia sempre mais isto e aquilo para colocar no mapa. O diabo estava nos pormenores. O mapa tornou-se a sua obsessão. O mapa deveria ficar tão completo quanto a realidade é, por axioma, completa. Fra Mauro queria localizar todos os lugares do mundo, queria a todos ver, num único relance, ao mesmo tempo, no chão do seu quarto. Um pouco como Stein Rokkan, Fra Mauro quiz ser Deus. Fra Mauro enlouqueceu.

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«Meet the Feebles» sucks

24.3.05


Houve uma altura em que estive preocupado com o facto de ser suposto gostar de Thomas Pynchon e eu não conseguir. Por mais que me esforçasse, nunca consegui passar das primeiras páginas de «Gravity’s Rainbow» ou de «V. ». À medida que me tornei mais velho que os jogadores do Benfica, isso passou. Há qualquer coisa com o supostamente bom que o torna, por essa razão, intrinsecamente irritante. É como com a carta de condução. A propensão para o despiste aumenta à medida que a confiança cresce e a angústia diminui ( é o que pensa Fátima Campos Ferreira). Não precisamos de angústia e ansiedade. Precisamos de angústia e de ansiedade, sim. O mesmo com a insegurança. A insegurança faz de nós homenzinhos, mantém-nos crisp e sharp. Feeble: acho que sabem do que estou a falar.

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I have a dream

Um dia, as eleições americanas serão decididas, não pelo bible belt, mas pelo garter belt.

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Aforismo para uso dos ex-alunos do Colégio Moderno

Michael Moore é a Dra. Maria de Jesus Barroso da esquerda.

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Aforismo, mais um

«Mondovino» é o «Bowling for Columbine» do «Sideways».

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Aforismo, o primeiro

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